HISTÓRIA DO MUNICÍPIO
O DESBRAVAMENTO 1727
Estamos diante do marco inicial do desbravamento de um território
que haveria de se tornar, no futuro, a sinterização
do progresso e do desenvolvimento. Jesuítas procurando
demarcar a fazenda que possuian na baixada, denominada de Santa
Cruz, galgam a serra do mar e dão inicio a colonização
da área. Consideradas as dificuldades de comunicação
com centros paulistas, o governador do Rio de Janeiro, Luiz
Vaia Monteiro, já em 1728 determinou a abertura de uma
estrada para São Paulo. Alguma coisa haveria de ser revelada
com as medidas adotadas e surgiu o conhecimento do vale médio
Paraíba, ao lado oposto da Serra do Mar, dando fim ao
obstáculo que entrava a marcha da civilização,
ate então retida durante quase dois séculos, a
orla marítima, destacando-se como centro a cidade do
Rio de Janeiro. Em 1733, João Machado Pereira se instala
em terras que por seis anos foram tratadas e desenvolvidas,
dando condições ao surgimento, em 1739, do povoado
de São Marcos. Já em 1744, em terras ocupadas
por Simão da Cunha Gago e outros companheiros de aventura,
rompida a Serra da Mantiqueira, teve inicio o povoado de N.S.
da Conceição do campo alegre da Paraíba
nova. Para os índios da região, Simão cunha
Gago era conhecido pelo nome de Timburibá. Em 1801, o
núcleo cuidado por Simão da Cunha Gago foi o primeiro
a ser elevado a categoria de vila, com o nome de Resende, enquanto
o povoado de São Marcos permaneceu na mesma categoria
ate 1811 quando passou a ser denominado São João
do Príncipe, sendo posteriormente alterado para São
João Marcos. As terras onde um dia surgiria Volta
Redonda continuaram esquecidas ate 1744, quando começaram
a ser devassadas por forasteiros, vindos de Campo Alegre da
Paraíba Nova a que se constituía na única
via de penetração. mas as inclusões nada
produziam de positivo, uma vez que eram realizadas com o único
propósito da procura de ouro e pedras preciosas ou, ainda,
da simples caça de animais para alimentação.
O PRIMEIRO HABITANTE
O Dr. José Alberto Monteiro, morador na cidade do Rio
de Janeiro, foi o primeiro a se aventurar na fixação
de residência na localidade, ainda denominada de Sertão
Bravio. Em 1764, conseguindo do vice-rei Conde da Cunha uma
imensa área de terra, nela se instalou desenvolvendo
uma fazenda, exatamente no local onde, mais tarde, haveria de
ser erguida a usina da Companhia Siderúrgica Nacional
e a vila operária. Outra fazenda surgiu em 1784, em terras
doadas a Mateus Pereira de Araújo e Oliveira, um Paulista
de Mogi das Cruzes, radicado em Campo Alegre da Paraíba
Nova. Essa área seria denominada Três Posses, nome
alterado posteriormente para Três Poços. O declínio
da produção do ouro da capitania de Minas Gerais,
obrigou uma emigração de colonos, em sua maior
parte constituída de mineiros, o que contribuiu para
um desenvolvimento da área, já no século
XVIII. A febre do café depois de 1820, foi a responsável
pelo surgimento de importantes fazendas na região, onde
se destacaram as de São João Batista, São
Lucas do Brandão, Volta
Redonda, Boa Vista, Santa Rita e Santiago
AS TERRAS QUE FORMARAM VOLTA
REDONDA
As terras que haveriam de formar Volta
Redonda (nome oriundo do acidente geográfico
do Rio Paraíba conhecido em 1744) foram, no ano de 1820,
anexadas às Vilas de São João do Príncipe
e de N.S. da Glória de Valença. Já em 1822
a situação do território de Volta
Redonda, segundo o Historiador J.B. de Athayde, assim
se apresentava: "O território de Volta
Redonda em 1822 fazia parte do termo da Vila de São
João do Príncipe (cuja divisa com a Vila de Resende
era pelo Rio de Barra Mansa, desde sua nascente até a
Barra no Paraíba, prosseguindo deste ponto em diante,
em linha reta até o Rio Preto). Na margem esquerda do
Paraíba encontravam-se as Fazendas Jararaca e Belmonte,
(no lugar hoje conhecido pelo nome de Retiro), do Cel. José
Pedro Vieira Ferraz - e Boa Vista ou Boa Vista da Glória
(nas imediações do Bairro São Luiz), do
Cap. Antônio da Silva Monteiro; e na margem direita as
Fazendas do Brandão (englobando Santa Cecília
e São Lucas), de Braz Carneiro Leão, homônimo
do grande potentado da cidade do Rio de Janeiro), Guarda-Mor
ou Volta
Redonda (na área atual do Centro Comercial
da cidade), do Guarda-Mor Francisco Pereira da Silva; - Volta
Grande do Cap. Manoel de Souza Azevedo e Três Poços,
de Manoel José Araújo Lima. A economia repousava
na agricultura (correspondendo lavouras diversas), pecuária
- limitada à pequena criação de animais
e na indústria do açúcar, cujos fundamentos
remontavam ao último quarto do século anterior.
As principais culturas eram a da cana-de-açúcar
(a primeira desde os tempos coloniais, até 1825 aproximadamente)
e do café, ainda em seu estágio inicial, mas já
prenunciando o grande futuro que lhe estava reservado na economia
local. A segurança da população estava
confiada às Tropas de Milícias e de Ordenanças
(consideradas forças auxiliares do Exército).
O Corpo de Cavalaria de Milícia fazia parte do 1º
Regimento, então denominado de "Campo de Brandão"
- antes com a numeração de 4º Regimento.
No seu comando encontravam-se os Capitães Manoel Gomes
de Carvalho (depois 1º Barão de Amparo), nas terras
da margem esquerda do Paraíba; e José Tomás
da Silva, na margem direita do mesmo rio. O Corpo de Ordenanças
estava sob as ordens de Joaquim Anselmo de Souza, capitão-mor
da Vila de São João do Príncipe, secundado
pelo Major João de Souza Breves, velho desbravador dos
sertões de Arrozal, onde se afazendara. Alguns oficiais
do Corpo de Cavalaria de Milícias em 1822, passaram a
fazer parte de um outro Corpo regular de Cavalaria, criado pelo
Decreto Imperial de S.M. o Imperador. Dele veio a fazer parte
o fazendeiro José Pedro Vieira Ferraz com o posto de
tenente, servindo na 2ª Companhia do 1º Esquadrão
cuja Companhia tinha sede na Vila de Resende".
Em 1832 as terras de Volta
Redonda foram anexadas as da Vila criada na povoação
de São Sebastião da Barra Mansa, em ambas as margens
do Rio Paraíba. Muitos trabalhadores e fazendeiros da
região limítrofes de Minas Gerais começaram
a povoar a localidade, passando muitos deles a adquirir as velhas
fazendas de café, algumas já decadentes e outras
quase arruinadas. Sem desprezar de todo a agricultura, partiram
para a pecuária, em cujos ramos já se apresentavam
grandes experiências. Desse modo conseguiram em pouco
tempo elevar a localidade à posição destacada
de grande centro agro-pastoril.
SUBORDINAÇÃO DAS TERRAS
As terras de Volta
Redonda pertenceram, sucessivamente aos termos da
cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro (1565-1801),
da Vila de Resende (1801-1813), da Vila de São João
Príncipe (1813-1820), das Vilas de São João
do Príncipe e de N.S. da Glória de Valença
(1820-1932) e da Vila de São Sebastião da Barra
Mansa (1932 a 1954). Coube ao Dr. Homero Leite, deputado estadual
eleito por Barra Mansa, apresentar na sessão da assembléia
Legislativa fluminense, de 16 de agosto de 1926, o projeto restaurando
o distrito, com os seguintes limites: "A Este, seguirá
a margem direita e esquerda do Rio Paraíba com o Município
de Piraí; ao Norte, com a Fazenda da Caieira e Roseira,
de propriedade dos Srs. José Fortes & Rocha, Fazenda
da Cachoeira, de propriedade de Dª Maria R. De B. Amorim,
Fazenda de Santa e Três Barras, do Major Manoel Ferreira
Da Silva, e Cachoeira, do Sr. José De Barros Amorim;
a Oeste, com a Fazenda de S. Tiago, do Sr. Donato Pereira Leite,
Sítio dos Carvalhos de propriedade do Sr. Maximiniano
Cavassoni, Fazenda do Jardim, de propriedade do Dr. Mário
De Oliveira Ramos, e Fazenda do Retiro, de propriedade do Dr.
Alberto Roesch; ao Sul, com a Fazenda Ponte Alta, de propriedade
do Sr. Manoel Barbosa, Fazenda S. Lucas, de propriedade do Dr.
Carlos Haasis, Fazenda Santa Cecília, de propriedade
do Cel. José Andrade Junqueira, e Fazenda do Guarda Mor,
de propriedade do Sr. Sérgio Teixeira." Segundo
as divisões administrativas do ano de 1933 e territorial
de 31/12/1936 e 31/12/1937, bem como o quadro anexo ao decreto-lei
Estadual n.º 392-A, de 31 de março de 1936, o Distrito
de Volta
Redonda pertenceu ao Município de Barra Mansa,
assim permanecendo nos quadros fixados para os qüinqüênios
1939/1943 e 1944/1948, pelos Decretos Estaduais n.º 641
de 15 de dezembro de 1938 e 1.056 de 31 de dezembro de 1943,
respectivamente. O decreto-lei Estadual n.º 1.063 de 28
de janeiro de 1944, ordenou o Distrito de Volta
Redonda como o 8º do Município de Barra
Mansa.
A CAPTAÇÃO E CANALIZAÇÃO DE ÁGUA
POTÁVEL
As reivindicações comunitárias prosseguiram,
fazendo surgir e crescer líderes, que defendiam as aspirações
populares. Em 1906 sentia-se a necessidade do serviço
de captação e canalização de água
potável. O problema só encontrou solução
em 1921, graças à iniciativa particular, sendo
todo serviço por ela construído. Era mais um serviço
prestado por pessoas, cujas figuras o tempo não consome.
Entre eles o Idealismo Do Cel. Aprígio Cravo, Cel. Alfredo
Dias De Oliveira, Major Manuel D'avila Da Costa Aguiar, Cap.
José Da Silva Bastos E Luís Gomes Vieira. Os problemas
conseqüentes dos encargos assumidos se avolumaram e o serviço
explorado, passou a ser mantido com dificuldade. Em 1926, seus
proprietários resolveram doá-lo com todas as instalações
e equipamentos à Prefeitura Municipal de Barra Mansa.
Como fatos complementares ao progresso, em 1924 surgiu a Fábrica
de Produtos Cerâmicos da firma A. Barreiros & Cia.
Ltda., hoje extinta. Em 30 de junho de 1926, Walter Thiers,
Álvaro Goulart, Sebastião Guimarães e Plácido
Cunha Batista, entre outros, fundaram o Volta
Redonda Futebol Clube. A imprensa tentava sobrevivência
no local, encontrando fervorosa defesa em ª Carvalho Aires,
Manuel D'avila da Costa Aguiar e Joaquim Goulart.
ASSINATURA DO EMPRÉSTIMO
Antes mesmo de ser fundada a Companhia Siderúrgica Nacional
o governo Americano, através do Export Import Bank of
Washington, concedeu um empréstimo de 20 milhões
de dólares para construção da futura Usina.
A foto foi tomada durante a assinatura do empréstimo,
vendo-se da esquerda para a direita, o Dr. Guilherme Guinle
Presidente da Comissão do Plano Siderúrgico, o
Sr. Jesse Jones, então Administrador dos Empréstimos
Federais Americanos e o Embaixador brasileiro nos EUA, Carlos
Martins Pereira de Sousa.
COMO SURGIU A COMPANHIA SIDERÚRGICA NACIONAL
Em 1930, Getúlio Vargas sonhava com o estabelecimento
de um surto industrial para o Brasil e, em discurso proferido
na esplanada do castelo, no Rio de Janeiro, chegou a colocar
em destaque que tal só aconteceria e seria possível
quando o Brasil estivesse " habilitado a fabricar a maior
parte das máquinas que lhe São indispensáveis
". Seus planos não conseguiram ser realizados senão
uma década após e em plena II guerra mundial.
Em 09 de abril de 1941 foi criada a Companhia Siderúrgica
Nacional com prazo reduzido para construção da
usina que haveria de se tornar a viga mestra da indústria
pesada no país. Em 04 de março de 1940. O Presidente
da República editava o decreto-lei nº 2.054 que
instituía a Comissão Executiva do Plano Siderúrgico
Nacional. Tal comissão foi composta pelo Engº Guilherme
Guinle (presidente), Engº Heitor Freire de Carvalho, Engº
Oscar Weinschenck, Ten-cel. Edmundo de Macedo Soares e Silva,
Engº Ari Frederico Torres e Capitão Tte. Adolfo
Martins de Noronha Torrezão. A previsão de Pandiá
Calógeras para a instalação de altos- fornos,
no Vale do Paraíba, fazia de Volta
Redonda, também, área escolhida pela
comissão do plano siderúrgico, após realização
de minuciosos estudos concernentes ao clima, solo, transporte
e mercados consumidores.

No dia 9 de abril de 1941, no salão da câmara
Sindical de fundos Públicos, o Dr. João Marques
dos Reis, então Presidente do Banco do Brasil S.A., assina
a ata de constituição da Companhia Siderúrgica
Nacional. Estão presentes, ainda, o Dr. Trajano Furtado
Reis, então Secretário da comissão do Plano
siderúrgico, Dr. Plínio Catanhede, então
presidente do IAPI, o Sr. Fernando Portela e a senhora Ceres
Torres Teixeira dos Santos, então funcionária
da comissão.
Fonte: VOLTA
REDONDA ONTEM E HOJE - VISÃO HISTÓRICA
E ESTÁTICA